Refletindo sobre Scrooge

29 dez

Oi, meninas! Tudo bem?

O tema desta semana foi a obra Um Conto de Natal, de Charles Dickens, e eu acho que foi perfeito para encerrarmos nossos temas natalinos e começarmos a pensar no ano por vir. Eu comecei a falar na quarta, e achei bacana retomarmos a reflexão que Dickens nos propõe. O texto convida o leitor a avaliar a história e a evolução do protagonista Scrooge. Por que, afinal, ele se tornou um velho rabugento que odeia todos e é igualmente odiado? No livro, é descrito que até o cachorro o evitava. O que acontece com uma pessoa dessas?

scrooge

Se nos apegarmos a uma interpretação mais superficial, vamos relacionar Scrooge estritamente às pessoas rabugentas que conhecemos ao longo da vida. Esse é um problema de personagens maniqueístas, ou seja, que são 100% maus, sem qualidades, ou 100% bons, sem defeitos. Muitas vezes temos dificuldades em nos espelhar nesses personagens simplesmente porque ninguém é plenamente perfeito ou imperfeito.

Porém, se pensarmos um pouco melhor, podemos enxergar muito do Scrooge em nós. Eu não digo apenas em relação ao natal, que nada mais é que um ponto temporal de apoio à história. O primeiro aspecto, bem central à personalidade de Scrooge, é o apego às coisas materiais. Scrooge tem o desejo de possuir por possuir – suas coisas não lhe proporcionam qualquer conforto ou satisfaz seus desejos. Ele trabalha pelo dinheiro e ele tem o dinheiro com o objetivo de ter o dinheiro.

h0177_patinhas60_moedas

Não é esse o mesmo princípio de quando pensamos que temos que ter aquela bolsa, aquele sapato, ou até aquele esmalte? Temos que ter porque temos que ter, se pensarmos uma segunda vez veríamos que não temos a real necessidade de tudo isso. Essa postura limita nosso aprimoramento moral, pois nos concentramos tanto em ter aquilo que queremos que muitas vezes esquecemos de focar naquilo que realmente é importante para a nossa vida – os momentos em família, os laços que construímos ao longo dos anos, que tipo de pessoa estamos nos tornando a medida que envelhecemos. Se a desejada bolsa se torna pó um dia, o legado que deixamos se mantém. Mesmo que você não tenha religião, ou não acredite em nada, que tipo de marca você vai querer deixar no mundo? Isso não é importante para você?

Veja bem, eu não quero dizer que não devemos desejar as coisas, pois isso seria negar a própria natureza humana. O que eu quero dizer é que nós não podemos fazer desses desejos o ponto central de nossas vidas, nosso objetivo. O mais importante é fazermos o possível para aprender o máximo durante cada momento e com cada pessoa à nossa volta. As posses devem ser um complemento à nossa qualidade de vida, não devem resumir nossa existência.

Essa questão do aprendizado também é abordada no Conto de Natal. Scrooge teve uma infância difícil e um pai frio, e isso provavelmente transformou quem ele é. Mas até que ponto somos escravos do nosso passado? O que aconteceu influencia sim na nossa personalidade, mas é também nossa escolha transformar nossas experiências ruins em algo bom no futuro. A palavra da vez é resiliência, ou seja, a habilidade de resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas. Aprendemos a ter mais resignação com aquilo que a vida nos traz, tomamos como contraexemplo uma atitude duvidosa de alguém, erramos para evitar desvios futuros.

Para terminar esse meu blablablá, deixo para vocês um texto muito bonito do Neil Gaiman em relação ao ano novo (na verdade, ele escreveu isso no final de 2011, mas tá valendo):

I hope that in this year to come, you make mistakes.

Because if you are making mistakes, then you are making new things, trying new things, learning, living, pushing yourself, changing yourself, changing your world. You’re doing things you’ve never done before, and more importantly, you’re Doing Something.

So that’s my wish for you, and all of us, and my wish for myself. Make New Mistakes. Make glorious, amazing mistakes. Make mistakes nobody’s ever made before. Don’t freeze, don’t stop, don’t worry that it isn’t good enough, or it isn’t perfect, whatever it is: art, or love, or work or family or life.

Whatever it is you’re scared of doing, Do it.

Make your mistakes, next year and forever.

Beijos e até amanhã, chuchus.

Anúncios

4 Respostas to “Refletindo sobre Scrooge”

  1. Iara_F 29/12/2012 às 16:40 #

    Que texto boniiiiiiito!! Adorei! beijos

  2. Maria Alcione 29/12/2012 às 22:24 #

    Super bom e reflexivo o texto, essa é a grande importância de Temas assim
    -refletirmos, pensarmos á respeito e principalmente nos posicionarmos á
    respeito da nossa relação com ele. Parabéns pela postagem! Beijos!

    • hamiltonbassi 30/12/2012 às 23:48 #

      Filha, seu texto mostra o seu grande talento para escrever e analisar uma estoria, além disso, mostra a sua enorme sensibilidade. gostei muito. nós assistimos o filme juntos e devo confessar que não tinha notado tudo isto que voce escreveu. parabéns..

  3. jubaoli23 03/01/2013 às 10:18 #

    essa história vale a reflexão! 🙂
    bjo, Paula!

Caso tenha problemas ao comentar, atualize a página (F5) e preencha seus dados sem o email.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: